E se Hamlet fosse autista?…

Existem muitas maneiras de se comunicar uma ideia, sentimentos… Conviver com pessoas com conduta típica de autismo nos faz rever muitas de nossas hipóteses, principalmente aquelas, cristalizadas em nossa cultura ocidental. Quando estava num trabalho intenso com essas pessoas, sensibilizado e na busca de respostas, acabei escrevendo o texto abaixo, que mais é um desabafo da alma, como uma pintura ou qualquer obra de arte sem nenhum compromisso com a verdade científica… mas somente algo que sai e pronto!

Viver ou não viver, eis a questão:

Será mais nobre enfrentar minhas próprias fraquezas espelhadas na vida

e ser massacrado pela incompreensão e violência do mundo ou,

refugiar-me num sonho só meu e livrar-me das provações mundanas?

Será que preferir sonhar em vez de viver seria uma falácia, que não nos livraria de todo o mal?

Relutar contra o inevitável, significaria adiar em vez de cancelar?

Seria possível se esconder da própria sombra?

Acordar… viver: eis o obstáculo.

Pois quando livre das próprias defesas, inventadas, articuladas,

surge o arrepio: o medo!

Acordar para viver: porque querem tanto me acordar, será pois esta vida boa?

Quem sofre com alegria a opressão do imoral e poderoso?

Quem não sentiu o aguilhão do orgulhoso… ou o amor negado dilacerando o coração?

E os donos da verdade se impondo às nossas vontades mais nobres e íntimas?

Oh!… mundo indigno.

Entre viver e morrer, prefiro sonhar.

Triste situação de fuga imanente, solitária, cansativa…

Se pelo menos alguém me desse uma esperança, de que a vida pudesse ser boa.

Ah!… que pensamento utópico, digno de um sonhador.

Assim vou sonhando, esperando a esperança aparecer,

quem sabe nas mãos de quem sonha como eu,

num mundo melhor de que se faça valer a pena,

viver…

 

lino

 Prof. Lino Azevedo Júnior

 

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1 Comentário

  1. Marizilda Fonseca Lopes

    Que maravilha ler esse texto, desabafo. Sinto como se você tivesse penetrado dentro do autismo para gritar o que vai no íntimo dos sonhos encantados. Sonhos são realidades que nos transformam e nos fazem voar mais alto. Assim no coração do autista surge a esperança de que um dia tudo será diferente, parafraseando voce Lino – “num mundo melhor de que se faça valer a pena viver…”

    Gratidão

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