Profissional de Educação Física, Pedagogo e Psicomotricista: Identidade, Regulamentação e Desafios

Em um cenário educacional e clínico cada vez mais desafiador, compreender o papel e a identidade dos profissionais que atuam na interface entre corpo, mente e aprendizagem tornou-se essencial. Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a atuação do Profissional de Educação Física, do Pedagogo e do Psicomotricista, explorando os impactos da regulamentação da Psicomotricidade, os dilemas terminológicos que afetam a valorização da Educação Física, e os desafios impostos pelos Conselhos profissionais. Mais do que discutir títulos e credenciais, o texto convida à construção de uma visão integrada e humanizada da prática educativa e terapêutica.

Profissional de Educação Física, Pedagogo e Psicomotricista: Identidade, Regulamentação e Desafios

Introdução

A Educação Física e a Psicomotricidade são áreas que dialogam diretamente com o desenvolvimento integral do ser humano. Ambas nasceram em contextos históricos marcados por reducionismos — ora vistas como práticas voltadas apenas ao corpo, ora como atividades recreativas — e lutam até hoje por reconhecimento pleno como campos científicos e profissionais.

A regulamentação da profissão de psicomotricista pela Lei nº 13.794/2019 trouxe avanços, mas também abriu debates sobre identidade, burocracia e valorização real dos profissionais. Da mesma forma, a adoção de termos como “Educador Físico” ou “Profissional de Educação Física” revela tensões sobre como a sociedade enxerga e valoriza esses trabalhadores.

A Regulamentação da Psicomotricidade

A Lei nº 13.794/2019 reconhece oficialmente a psicomotricidade como profissão e autoriza a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Psicomotricidade.

  • O título de psicomotricista é reservado a quem possui formação específica (curso superior ou pós-graduação lato sensu em saúde/educação com especialização em psicomotricidade).
  • Profissionais que já atuavam na área antes da lei foram reconhecidos, garantindo continuidade.
  • A lei prevê fiscalização e normatização da prática, buscando assegurar qualidade mínima e valorização da categoria.

Identidade na Educação Física: o debate terminológico

A regulamentação da Educação Física no Brasil trouxe avanços significativos para a valorização da área. No entanto, a adoção do termo “Educador Físico” pelo sistema CONFEF/CREF gerou ambiguidades que, em vez de fortalecer, podem enfraquecer a identidade profissional.

O problema do termo “Educador Físico”

  • Educador é um conceito amplo: qualquer pessoa que influencia outras pode ser considerada educadora, mesmo sem formação acadêmica.
  • Físico reforça a ideia reducionista de que o trabalho se limita ao corpo, sem considerar o ser humano integral.
  • A junção dos dois termos transmite a impressão de um profissional “menor” em relação ao professor de sala de aula ou aos demais profissionais da saúde, perpetuando estereótipos históricos de que a Educação Física é apenas recreação ou esporte.

A força do termo “Profissional de Educação Física”

  • Profissionalismo: destaca que se trata de alguém habilitado por formação acadêmica e credenciado pelo CONFEF/CREF.
  • Abrangência: contempla os dois grandes campos de atuação reconhecidos oficialmente — Educação e Saúde.
  • Integralidade: reforça que o trabalho não se limita ao corpo físico, mas envolve movimento, cognição, emoção, cultura e qualidade de vida.
  • Equidade: coloca o profissional em pé de igualdade com outros da saúde e da educação, sem diluir sua identidade.

Comparação simbólica

Termo Conotação Risco cultural
Educador Físico Genérico, qualquer pessoa que “educa pelo corpo”. Dilui o profissionalismo; reforça visão reducionista do corpo.
Professor de Educação Física Docente habilitado, ligado ao ambiente escolar. Restrito ao espaço escolar; não contempla saúde e esporte.
Profissional de Educação Física Profissional habilitado, credenciado, atuando em Educação e Saúde. Nenhuma limitação significativa; é abrangente e oficial.

Conclusão parcial

O termo “Profissional de Educação Física” é o que melhor traduz a identidade da área: une o caráter pedagógico e o caráter de saúde, valoriza a formação acadêmica e evita reducionismos. Mais do que um título, é uma afirmação de que este profissional atua de forma integral, cuidando do ser humano em sua totalidade — corpo, mente e cultura.

Impactos para Pedagogos e Profissionais de Educação Física

  • Pedagogos: podem continuar aplicando práticas psicomotoras em sua atuação escolar, mas não podem se intitular psicomotricistas sem a especialização.
  • Profissionais de Educação Física: já reconhecidos pelo CONFEF/CREF como especialistas em psicomotricidade, podem ampliar sua atuação com credencial oficial, mas enfrentam o dilema da dupla vinculação (CREF + Conselho de Psicomotricidade).

O Papel dos Conselhos

Os Conselhos profissionais têm como função principal valorizar a categoria e fiscalizar a prática, garantindo padrões mínimos de qualidade. No entanto, em um país de dimensões continentais como o Brasil, muitas vezes sua atuação se restringe à cobrança de anuidades e à intimidação de profissionais, em vez de ampliar o alcance dos benefícios à população.

Essa realidade gera frustração: em vez de fortalecer a prática e expandir o acesso, os Conselhos acabam por burocratizar e dificultar a sobrevivência de profissionais que já nasceram com a vocação de ensinar e cuidar.

Crítica à Exigência de Pós-Graduação

A obrigatoriedade de uma pós-graduação para credenciamento pode ser vista como um filtro elitista.

  • Nem sempre a pós-graduação garante prática efetiva ou qualidade superior.
  • Muitas vezes, serve apenas como barreira burocrática, afastando profissionais vocacionados que já atuam com competência.
  • Isso reforça desigualdades sociais, pois o custo da formação e da dupla anuidade pesa sobre quem já enfrenta dificuldades para sobreviver na profissão.

Conclusão Crítica

A regulamentação da Psicomotricidade é um avanço histórico, mas precisa ser acompanhada de uma reflexão crítica: até que ponto os Conselhos realmente valorizam os profissionais e ampliam o acesso da população às práticas psicomotoras e educativas?

Se a regulamentação se traduz apenas em cobrança de anuidades, exigências burocráticas e restrição de atuação, corre-se o risco de transformar um marco legal em um obstáculo à vocação de milhares de professores e profissionais da saúde.

O verdadeiro desafio é construir Conselhos que sejam parceiros dos profissionais, que promovam formação continuada acessível, que ampliem o alcance social da psicomotricidade e da educação física, e que reconheçam que ser professor ou profissional da área é, antes de tudo, uma vocação que nasce do desejo de transformar vidas.

Campinas, 17 de fevereiro de 2026

Prof. Lino Azevedo Júnior

CREF 004237-G/SP

📚 Referência científica do artigo

ABNT (NBR 6023): PSICOMOTRICIDADE POSITIVA. Profissional de Educação Física, Pedagogo e Psicomotricista: Identidade, Regulamentação e Desafios. Disponível em: https://www.psicomotricidadepositiva.com.br/profissional-de-educacao-fisica-pedagogo-e-psicomotricista-identidade-regulamentacao-e-desafios/. Acesso em: 17 fev. 2026.

APA (7ª edição): Psicomotricidade Positiva. (n.d.). Profissional de Educação Física, Pedagogo e Psicomotricista: Identidade, Regulamentação e Desafios. Recuperado em 17 de fevereiro de 2026, de https://www.psicomotricidadepositiva.com.br/profissional-de-educacao-fisica-pedagogo-e-psicomotricista-identidade-regulamentacao-e-desafios/

MLA (9ª edição): “Profissional de Educação Física, Pedagogo e Psicomotricista: Identidade, Regulamentação e Desafios.” Psicomotricidade Positiva, www.psicomotricidadepositiva.com.br/profissional-de-educacao-fisica-pedagogo-e-psicomotricista-identidade-regulamentacao-e-desafios/ (psicomotricidadepositiva.com.br in Bing). Acessado em 17 fev. 2026.

 

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