Educação e Educação Ambiental

QUANDO A EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL SE ENCONTRARAM

Quando argumentamos que a Educação e a Educação Ambiental se encontram em algum ponto de suas trajetórias, é porque partimos do princípio que nem sempre andaram juntas, e que depois de uma caminhada cada uma em seu caminho solo, as duas se encontraram e começaram um relacionamento.

Este relacionamento nem sempre foi de comunhão perfeita, poderíamos dizer, que ainda não o é nos tempos atuais.

Então vamos oferecer um breve panorama de cada trajetória solo, para analisarmos o encontro e para depois então, avaliarmos a caminhada das duas juntas, visando sua comunhão.

EDUCAÇÃO

A Educação formal, muito mais antiga que a Educação Ambiental formal, tem suas raízes em formas de pensar muito mais antigas e relativas à infância da humanidade.

A Educação informal e formal se desenvolveu e se desenvolve, na medida em que se desenvolveu e se desenvolve a percepção do mundo em que vivemos.

Há certa altura da história humana, principalmente na nossa cultura ocidental, se desenvolveu uma percepção de mundo que percebe o mundo como se fosse composto por partes separadas.

Este pensamento foi fortalecido pela Ciência Mecanicista, fazendo com que as pessoas de maneira geral que creditam ao pensamento científico uma certeza inquestionável, quase absoluta e divina, também partissem desta visão de mundo composto por partes separadas para desenvolverem os modelos de interação social: economia, política, saúde, etc.

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COM A EDUCAÇÃO NÃO FOI DIFERENTE

Embora haja tentativas de mudança de modelo na Educação, sinalizadas pela interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, por exemplo, ainda o modelo atual é baseado na percepção de mundo das partes separadas.

Políticas públicas, objetivos, disciplinas, conteúdos, professores, alunos, mentes e corpos são algumas dessas partes separadas da Educação.

O objetivo da Educação formal acabou por ser, então, a inculcação de conteúdos, ou seja, enfiar nas cabeças dos alunos conteúdos-partes-separadas das disciplinas-partes-separadas pré-estabelecidas nos currículos escolares.

ENQUANTO ISSO: AS CRISES AMBIENTAIS

Indiferentes a evolução da Educação, a revolução industrial vai ganhando força na história da humanidade, causando grande impacto ambiental.

O que era antes pequenas agressões individuais de Seres Humanos ao planeta, se ampliaram grandemente em escala, abrangência, profundidade e força, devido à utilização de máquinas e processos de produção em escala industrial.

As pequenas agressões individuais que eram absorvidas e reequilibradas pelo planeta sem grandes problemas, com o aumento exponencial das agressões e da população (ou seja, muito mais gente agredindo), o planeta demonstra dificuldades em reequilibar as conseqüências dessas agressões alucinantes.

O Planeta começa então a acumular os efeitos dessas agressões frente à sua capacidade de absorção e reequilibração. Em outras palavras, o saldo entre o desequilíbrio provocado pelo homem e a capacidade de reequilíbrio pela natureza, ficou negativo e só aumenta.

Os efeitos da cultura consumista, que promove à devastação das florestas, de criações de animais que visam o lucro a qualquer custo, as guerras que bombardeiam o planeta sem perdão, explorações do subsolo, etc.., etc…, etc…, começa então a se tornarem bem visíveis em grandes catástrofes “naturais”, contaminações e envenenamentos.

Buscando entender o que está provocando essas catástrofes, obviamente claramente percebidas, o homem começa a perceber que o mundo não é composto por partes separadas.

O que se pensava como uma parte separada que não tinha nenhuma relação com outra parte, agora no mundo ecológico, começou-se a perceber que uma ação influencia outra, como que, uma peça influencia outra peça, e que na verdade não são, exatamente, peças separadas.

Começou-se a perceber que todo o planeta é um sistema interconectado e interdependente onde cada célula deste Sistema como os animais, o homem e as ações do homem, pertence ao Sistema Maior Planeta Terra, percebido então como um Sistema Vivo: Gaia.

Começou-se a perceber que, o problema de contaminação do ar de um País não está restrito somente aquele País, mas que os outros também sofrem os efeitos da contaminação de um sobre os outros. A atmosfera não tem limites territoriais. Se uma pessoa contamina o ar, os outros ao seu redor sofrem com isso. Se um País contamina o ar, os outros países sofrem com isso.

Aprofundando esta percepção, percebeu-se então que, se uma pessoa contamina o ar, o impacto ambiental de sua atitude atinge ou é percebido por todo o Planeta ou Sistema Planetário.

Refinando-se ainda mais esta percepção, chega-se a constatação de que, todo pensamento ou mesmo uma emoção de uma pessoa impacta todo o Planeta. Percebeu-se que o efeito de um simples bater de asas de uma borboleta, somados ao contexto / sistema planetário, pode afetar o destino do Planeta.

QUANDO A EDUCAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL SE ENCONTRARAM

Quando os ambientalistas perceberam que o modo de agir e intervir no mundo gerava conseqüências numa relação não só de causa e efeito (percepção pertinente ao olhar mecanicista), mas de maneira sistêmica, ou seja, que na realidade não existe uma única causa com uma única conseqüência, mas que existem, poderíamos dizer, infinitas “causas” que se relacionam o tempo todo e que geram como resultado um complexo contexto altamente dinâmico, concluíram que era preciso Educar as pessoas para que preservassem o meio-ambiente.

Foi aí que a Educação e a Educação Ambiental se encontraram em seus primeiros passos.

A ecologia traz em si uma perspectiva de mundo sistêmica, holística, complexa ou ecológica, como se costuma dizer.

Já a Educação com seu modelo de Educação Formal e uma cultura informal mecanicista, portanto acostumada a inculcar conteúdos em seus educandos, acostumada a corrigir o “errado”, em adestrar ou doutrinar, se viu agora, diante de um “conteúdo” que não se encaixa em seus modelos.

Os ambientalistas, embora mais familiarizados com o modelo sistêmico observado na natureza, não são especialistas em Educação e foram Educados no modelo mecanicista.

O resultado desse encontro foi uma Educação Ambiental organizada para adestrar os seus educandos num comportamento que gerasse menos impacto ambiental possível.

Em vez da Educação promover a consciência sistêmica ou holística da vida, que gera auto-conhecimento do indivíduo e conseqüente responsabilidade pessoal, social e ecológica, a Educação das partes incorporou a percepção sistêmica limitando-a em suas “velhas-partes-conteúdos” e modus operandi do modelo mecanicista, inculcando em seus educandos “peças-conteúdos” novas, como reciclagem, poluição da terra, ar e água, leis e penalizações.

CONCLUINDO…

O encontro da Educação com a Educação Ambiental promoveu o encontro de dois modelos ou percepções de mundo diferentes: o Mecanicista com o Sistêmico.

Este entrechoque promove aos poucos a diferenciação e consciência das diferentes percepções, e a conseqüente, diferente maneira de intervir no mundo, tanto na área Ambiental quanto na Educacional.

Assim a Educação e a Educação Ambiental se encontraram cada qual com a sua cultura e com seus objetivos, que não estavam a princípio, em perfeita consonância um com o outro, mas que, com a convivência, um começa a conhecer o outro mais profundamente e cada um oferece ao outro suas experiências, fazendo com que tanto a Educação quanto a Educação Ambiental melhorem em aspectos que o parceiro pode contribuir.

No final das contas não deixa de ser um encontro com um final feliz, final este que ainda não chegou, mas que promete muito!

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lino

 Prof. Lino Azevedo Júnior

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