Como associar Musculação e Psicomotricidade?

Certa vez atendia um aluno, muito culto e que estava com cerca de 60 anos de idade, quando no meio da aula me perguntou com um tom meio desafiador: “Professor, contratei um profissional de musculação pessoal e ele me diz que tenho que fazer os exercícios (de musculação) com pesos pesados. Aí eu venho aqui com você e faço estes exercícios (de musculação) com pesos, que para mim, são leves. Quem está com a razão?”

Como estava numa sala (de musculação) com várias pessoas por perto, observando a cena e curiosas para ver como me sairia daquela “saia justa”, respirei fundo como quem ganha um tempo para elaborar a resposta e disse:

“Se você quiser trabalhar Força Muscular usando os exercícios de musculação como estratégia de intervenção, é recomendado que se faça os exercícios com pesos pesados, ou seja, pesos que podem chegar até a 90% ou mesmo mais de 100% de sua capacidade máxima de execução e, poucas repetições.

Se você quiser trabalhar Resistência Muscular Localizada, por exemplo, é recomendado que você faça os exercícios com cargas leves e muitas repetições.

No nosso caso, o nosso objetivo não é nem trabalhar força nem resistência muscular, mas sim, a sincronização entre mente e corpo, por isso a carga ‘não importa’.

Coloco um peso que ofereça alguma resistência ao movimento para que fique bem demarcado em sua mente o ritmo do movimento que você está executando. Peço que você conte cada ciclo do movimento em voz alta, para que mente e corpo possam se sincronizar, coordenados pela consciência. Desta maneira, tanto o profissional como eu, temos nossa razão!”.

Ao final da resposta meu aluno fez um semblante de quem ficou satisfeito com a resposta, pois, além disso, olhou para as pessoas ao lado balançando a cabeça, como quem aprovara a resposta…

Este aluno estava passando por uma fase muito difícil na vida e estava muito ansioso, a tal ponto, de cair com freqüência. Chegou até a cair em uma escada em sua casa, se machucando bastante. Sua mente planejava a execução de seus movimentos com tamanha rapidez, que ele não tinha como executá-los com habilidade necessária para manter o equilíbrio.

Este exercício de musculação então fazia parte de um contexto psicomotor / psicopedagógico que visava tanto o restabelecimento da harmonia do indivíduo como um Todo (que poderíamos chamar de Reeducação Psicomotora), como também procurava fazer com que o meu aluno tirasse daquelas vivências difíceis que a vida lhe estava proporcionando, o maior proveito possível para o seu desenvolvimento integral.

Desta maneira a musculação e qualquer exercício de musculação específico, para serem considerados como atividades psicomotoras, devem olhar para o aluno e vê-lo com um Indivíduo em sua Totalidade. Não devem ter objetivos focados somente no corpo, pensamento que traduz uma visão fragmentada do Ser Humano, daquela que considera corpo e mente ou corpo e psique como entidades separadas.

É comum percebermos profissionais cujas estratégias de intervenção é no corpo biológico, como Médicos, Fisioterapeutas e Professores de Educação Física, por exemplo, que partem de uma visão de mundo de partes separadas e não consideram outras dimensões do Ser Humano em sua atuação profissional.

Por outro lado também é comum percebermos profissionais cujas estratégias de intervenção é na psique, como Psicólogos, Professores e Coaching´s, por exemplo, que partindo da mesma visão de mundo de partes separadas, não consideram o corpo biológico em sua atuação profissional.

As vivências psicomotoras na sala de musculação devem ser vistas como vivências em um ambiente interessante e que proporciona vários estímulos que só a sala de musculação pode oferecer.

Uma vez um aluno meu de cinco anos de idade que usava cadeira de rodas quis experimentar a esteira com a cadeira. Foi uma experiência muito prazerosa e alegre para todos nós. Para o aluno, para mim e para as pessoas que estavam na sala. Quando vivenciamos uma atividade prazerosa positiva, muitos benefícios são conquistados que favorecem o desenvolvimento.

Então para que a vivência na sala de musculação possa ser considerada como atividade psicomotora, a resposta para as perguntas a seguir deve ser: SIM.

  1. O foco está no aluno? Sim!
  2. A Musculação é para mim, um meio ou uma estratégia de intervenção? Sim!
  3. O meu Objetivo é o Desenvolvimento Integral do Aluno? Sim!
  4. A maneira com que conduzo as atividades está de acordo ou colaboram com o Objetivo? Sim!

 

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1 Comentário

  1. José Roberto

    Excelente artigo!

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